O terror de The Lodge

THE LODGE (2019). Direção: Veronika Franz e Severin Fiala.

Desde que o trailer de “The Lodge” (ou “A Cabana”) saiu, os fãs de terror psicológico aguardavam ansiosos por uma obra que tinha tudo para gelar os nervos, já que era escrito e dirigido pela mesma dupla de “Boa noite, mamãe” (2014), Veronika Franz e Severin Fiala. O resultado, entretanto, apesar de não ser ruim, deixou um pouco a desejar, principalmente por algumas escolhas mal feitas de roteiro.

A filme começa com uma perturbadora cena de tragédia familiar e lança rapidamente no colo do espectador um mistério macabro. A nova madrasta dos irmãos Aidan e Mia tem um passado pra lá de aterrorizante: na adolescência ela foi a única sobrevivente de uma seita religiosa que cometeu suicídio coletivo.

Num desenvolvimento inverossímel, o pai das crianças as convence a ficarem sozinhas com a nova esposa numa cabana isolada no meio da neve nas montanhas. Apesar de improvável, a história consegue se manter na premissa, e temos a impressão de que um desfecho perturbador nascerá daquela estranha situação.

O que acontece, no entanto, é que o filme joga com uma série de acontecimentos clichês para confundir e causar tensão, embora quando as peças enfim se encaixam, o clímax perde sua força e o filme gravita no nível do satisfatório, deixando aquela expectativa de que houvesse um algo a mais.

O que salva a produção é a boa atuação de Riley Keough como a jovem madrasta Grace, que tenta agradar os enteados, mas é repelida pela sensação constante das crianças de que ela esteja tentando ocupar o lugar da mãe. Grace, a mulher com o passado sinistro, entrará numa espiral de loucura que levará todos a uma tragédia iminente.

As situações apresentadas pelo filme parecem ter a pretenção de fazer referência a filmes como “Hereditário” e “Os outros”, mas sua esses aspectos se perdem nas constantes voltas da trama. A relação de Grace com os símbolos religiosos presentes na cabana dão força à tensão, mantendo um clima de claustrofobia e insanidade constante, e já a cena final, embora visualmente forte e bem feita, é previsível, sem conseguir desenterrar da neve o restante da história.

“The Lodge” está aquém do trabalho anterior das cineastas austríacas, mas no geral é um bom filme, que segue na linha do que alguns chamam de pós-terror, e vai certamente agradar fãs de terror psicológico, que preferem a cosntrução lenta da tensão em vez de uma sucessão de sustos gratuitos.

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