O terror de Stephen King made in Brazil

Quando falamos em livros de terror e horror no Brasil, duas coisas que vêm à mente são as belíssimas edições da DarkSide Books e as bizarras histórias de Stephen King, talvez o autor preferido de 10 em cada 10 fãs de literatura de horror contemporânea.

A recém-lançada Antologia Dark pela editora é muito mais do que uma simples homenagem ao “homem do Maine”, é uma verdadeira celebração da produção literária de horror no Brasil. Com organização de Cesar Bravo (Ultra Carnem e VHS- Verdeiras Histórias de Sangue) e reunindo um grande elenco de autores nacionais, a coletânea de contos inspirados em obras do mestre Stephen King é um verdadeiro banquete para os fãs do gênero.

Cada um dos 14 autores participantes escolheu uma obra de King para homenagear, e o resultado foi o mais diversificado possível. Como toda a antologia, há contos melhores que outros para determinados gostos, e uma diversidade de estilos que ressoa de forma diferente em cada leitor. Mas é importante ressaltar que há contos para todos os gostos ali.

Alguns trabalhos se propõem a recriar as histórias de King no cenário brasileiro, caso de “O zagueiro”, de Vitor Abdala, “Cárem Sinistra”, de Marco de Castro, e “Santa Negra”, de Ferréz. Outros aproveitaram personagens e pontos de vista não explorados para produzir uma espécie de universo expandido da obra kinguiana, como em “Creed”, de Cláudia Lemes, “Granizo fino”, do próprio Cesar Bravo, “Grand finale”, de Soraya Abuchaim, “Porta não encontrada”, de Everaldo Rodrigues e “A hora da bruxa”, de Carol Chiovatto.

Há ainda os que tentaram dialogar com a obra de King de forma metaficcional, como em “Retorno ao ciclo do lobisomem”, de Alexandre Callari e “Miséria”, de Andrea Killmore (pseudônimo da dupla Raphael Montes e Ilana Casoy).

Cada um, a seu modo, imprimiu seu estilo à escrita e homenageou o Mestre do Terror à sua própria maneira, criando um caldo bem temperado.

Os que mais me capturaram na leitura foram “Creed”, em que Cláudia Lemes consegue deixar no leitor a impressão de que o conto foi escrito pelo próprio Stephen King; “O terceiro testamento”, de Antônio Tibau, talvez o texto mais bem escrito da antologia; e “Miséria”, em que Rapahel Montes e Ilana Casoy, de forma bastante criativa, conseguem colocar a literatura de King no círculo de discussão intelectualizada, ironizando a crítica literária e ao mesmo tempo contando uma história divertida e surrealista, que fecha em grande estilo o livro.

Sem dúvida este é um dos mais aguardados lançamentos da litertatura de gênero de 2020 (com razão) e vai agradar a maioria dos fãs. Além disso, é uma brilhante investida na produção nacional, relevando ou consolidando grandes nomes do horror no país que, nos passos do homem do Maine, já vieram para ficar.

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