Folk Horror: 10 livros e HQs para comemorar o dia do Beltane

Por Daniel Gruber

Folk horror é um subgênero do cinema de horror, chamado no Brasil de “terror folclórico” ou “horror rural”, que também vale para livros, séries e HQs. As histórias associadas a esse gênero se passam em locais isolados como vilarejos, fazendas ou florestas. Nas histórias de folk horror quase sempre há um personagem cético ou racional, ou apegado aos costumes cristãos, que se depara com seitas, costumes e rituais antigos, geralmente pagãos, que quase sempre envolvem sacrifícios humanos, possessões, invocações demoníacas ou bruxaria.

Mais do que apenas tratar de assuntos fantásticos e lendários, o folk horror aborda o conflito entre o primitivo e o civilizado, o antigo e o moderno, a selvageria e a moral, a adoração e a fé. O início do gênero é atribuído a filmes ingleses ligados à contracultura da virada entre as décadas de 60 e 70, como O caçador de bruxas (1968), O estigma de Satanás (1971) e O Homem de Palha (1973). Naquela época, temas como esoterismo, religião, culto à natureza, satanismo e bruxaria — muitos deles ligados ao movimento hippie — estavam em alta e ajudaram a projetar o sucesso desses filmes.

Ao longo dos anos, muitas narrativas da cultura pop se filiaram a este gênero, no qual podemos incluir desde Colheita Maldita (1978), filme baseado no conto de Stephen King, até a primeira temporada de True Detective (2014). Recentemente, o gênero ganhou novo fôlego com produções como A Bruxa (2015), de Robert Eggers, e Midsommar (2019), de Ari Aster.

Apesar deste subgênero ter se popularizado no cinema, ele tem uma extensa tradição na literatura, que remete à primeiras histórias da literatura gótica, a maioria deles tratando deste medo do antigo e do passado frente à modernização da sociedade urbana. Bram Stoker e Nathaniel Hawthorne já escreviam seus contos e romances com essa intenção na segunda metade do século XIX, por exemplo.

Uma lista para comemorar a Folk Horror Week

Na Inglaterra, onde esse gênero faz muito sucesso, os fãs comemoram entre 25 de abril e 1º de maio a Folk Horror Week, isto é, a semana do horror folk. A data foi escolhida para fechar com o May Day, o primeiro dia de maio, que nas tradições antigas do hemisfério norte é o dia do Beltane, um festival de origem celta (portanto, pagã) que comemora a chegada da primavera.

Para comemorar este dia, preparei uma lista com livros, contos e HQs publicados em português que se relacionam com o gênero, mas há muito outros, especialmente em inglês. Confira:

1. O cemitério, Stephen King.

Vamos começar com um bem conhecido. Cidadezinha do Maine, uma floresta macabra, um cemitério indígena e uma lenda local. Tudo para dar errado (ou certo).

2. Loney, Andrew Michael Hurley.

Uma história de fanatismos e perda da fé, mas também de milagres estranhos e rituais mais estranhos ainda. Paisagens desoladas, um padre sinistro e um lugar amaldiçoado.

3. Cerimônias satânicas, T.E.D. Klein. 

Livro para quem gosta de prosa detalhada e descrições de paisagens. Um pouco lento, mas muito imersivo.

4. As possuídas do diabo, Thomas Tryon

Folk horror classicão, publicado em 1973, no mesmo ano de O Homem de Palha e com uma pegada bem parecida. Festa da colheita, seita secreta e tudo que uma pessoa pode querer de um horror rural.

5. Condado maldito, Cullen Bunn e Tyler Crook.

Uma graphic novel em oito volumes que conta a história de Emmy, menina que vive numa fazenda com o pai, cura bezerros doentes, encontra estranhos amigos na floresta e precisa escapar de camponeses furiosos, pois sua vida está conectada a uma poderosa bruxa. Com traços aquarelados impressionantes, essa história nos transporta direto para uma fazenda perdida no tempo aonde todo tipo de assombração parece perfeitamente adaptada à paisagem.

6. Floresta dos medos, Emily Carroll.

Não se engane: o que a arte desse livro tem de fofa, tem de assustadora. Com traços e cores simples, que lembram ilustrações de um livro infantil, Carroll conta cinco histórias de horror de tempos remotos, que parecem uma bela mistura do universo dos contos de fada dos irmãos Grimm com o horror cósmico de Lovecraft. As histórias de Carroll vão envolvendo o leitor como num pesadelo e é impossível não se surpreender com esse belo trabalho.

7. Wytches, Scott Snyder.

Uma história clássica de bruxas com uma pegada que lembra bastante Stephen King. A grafia do nome é assim mesmo, com “Y”, pois as brvxas desse livro não são mulheres, mas criaturas do submundo. Apesar do enredo remeter a muitas histórias conhecidas, ele surpreende pela abordagem criativa do tema. Fiquei vidrado quando li. A arte é bem sombria e confesso que senti um frio na espinha em alguns momentos. Altamente recomendada.

8. A Loteria, Shirley Jackson

Conto publicado em 1948 pela mesma autora de Assombração na casa da colina, esta história impressionante pela sua tensão crescente começa como uma simples assembleia de moradores de uma cidadezinha qualquer. Contudo, os moradores escondem um costume apavorante por trás de seu proselitismo interiorano.

9. O povo branco, Arthur Machen

Conto pulicado em 1904 pelo mesmo autor de O grande deus Pã, trata-se do diário de uma jovem que é levada pela sua babá até a floresta onde conhece o povo branco, uma seita de estranhas pessoas (ou seres) que realizam rituais ainda mais bizarros.

10. Horror em Dunwich, H. P. Lovecraft

Num vilarejo afastado, em 1913, uma mulher albina dá à luz um menino com feições de boda que cresce muito mais rápido que as outras crianças. Noveleta que integra o ciclo do mito de Cthulhu.

Folk horror nacional

Embora seja um gênero popular na europa e nos EUA, o folk horror também possui fãs e representantes na literatura e nos quadrinhos nacionais. Se você curte o gênero, procure: Lauren, de Irka Barrios; Maldito sertão, de Márcio Benjamin; Silvestre, de Wagner William; Galhada, de R. L. Mueller; e o meu A Floresta. Em breve vai sair um post aqui no site só sobre autores nacionais. Até logo!

2 comentários sobre “Folk Horror: 10 livros e HQs para comemorar o dia do Beltane

  1. Baita lista, @Daniel Gruber. Devo confessar que conheço quase todas, também aproveito o espaço pra “vender o peixe”, sou um dos quadrinistas que adaptou o livro Maldito Sertão, de Márcio Benjamin para as HQs, e também sou autor da HQ Horas Escuras, feita com a Cristal Moura (ela também está em Maldito Sertão). A trama flerta com o sobrenatural e o horror cósmico, foi lançada em 2018, reimpressa em 2020, e publicada pela editora Jovens escribas, assim como Maldito Sertão. Qualquer coisa, é só nos procurar no Instagram. Vou deixar um link com uma resenha sobre a obra, caso fique curioso. E continuamos a produzir. Grande abraço.

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