Conheça a antologia O Novo Horror

Por Daniel Gruber

Desde a última década o cinema de horror vem revelando uma onda de filmes que tentam escapar da fórmula cheia de sangue e sustos gratuitos que dominam as produções mais comerciais do gênero, e não demorou para que a mídia cunhasse um termo para defini-los: “pós-horror”. Filmes como O Babadook (2014), A bruxa (2015), Corra! (2017), Midsommar (2019) e Nós (2019) apostaram muito mais no drama, na crítica social e na tensão atmosférica e psicológica para causar medo. Viraram cult, receberam inúmeras críticas, mas também atraíram uma série de admiradores de dentro e de fora do universo dos filmes aterrorizantes.

Inspirados por esse movimento, eu e a escritora Irka Barrios, com o apoio do Ismael Chaves aqui do Escuro Medo, organizamos a antologia de contos O Novo Horror, reunindo outros 15 grandes autores e autoras de diversos lugares do país. Nomes consagrados como Daniel Galera, Cláudia Lemes, Bruno Ribeiro, Oscar Nestarez, Larissa Prado, R. Tavares, Gustavo Czkester, José Francisco Botelho, Nikelen Witter e Ana Lúcia Merege se juntam a novas vozes da literatura nacional, como Juliane Vicente, Isabor Quintire, Matheus Borges, Vitória Vozniak e Andrezza Postay, unidos pelo gosto em comum pelas narrativas horror. A antologia conta ainda com prefácio do escritor Antônio Xerxenesky.

A escolha dos escritores participantes busca traduzir a característica híbrida deste horror contemporâneo: alguns autores já são conhecidos no cenário da literatura fantástica, outros são mais conhecidos pela sua produção realista, e alguns ainda transitam bem entre os dois universos. A seleção buscou contemplar esses três perfis, cujo único critério condutor foi a qualidade do texto.

Mentes perversas, fanatismo religioso, seitas bizarras, racismo, xenofobia, feminicídio, lendas folclóricas e outras ameaças fazem parte dessa coletânea de medos tipicamente brasileiros. O livro está em campanha de financiamento coletivo no Catarse e pode ser adquirirdo, junto com outras recompensas, neste link.

Termo polêmico

Embora os contos sejam inspirados pela safra cinematográfica recente, concordamos que o termo “pós-horror” é polêmico e gera enormes discordâncias entre os fãs do gênero. Por isso a decisão de sugerir um novo horror no lugar de um “pós”.

O termo pós-horror surgiu a partir de um artigo do jornalista Steve Rose para o jornal britânico The Guardian, em 2017. O artigo, intitulado “Como os filmes de pós-horror estão mudando o cinema” refletia sobre uma onda de filmes de horror independentes lançados durante aquele período que arriscavam fugir das convenções do gênero. Tais filmes, por carregarem elementos mais “sofisticados”, não teriam boa recepção junto ao público tradicional do cinema de sustos, motivo pelo qual o jornalista identificou esses filmes como uma espécie de superação do gênero.

O artigo era, originalmente, uma resenha do filme Ao cair da noite (2017), dirigido por Trey Edward Shults, lançado pela cultuada produtora independente A24, que é responsável também por trabalhos como A bruxa (2015), e Hereditário (2018). O texto partia da constatação de que o filme tinha sido aclamado pela crítica e por parte dos espectadores, mas que a maior parcela da audiência tinha detestado o filme ou frustrado suas expectativas. Ainda no artigo, Rose afirmava que muitos cineastas estariam quebrando essas regras em busca de novos medos, novas formas de assustar e de contar histórias de horror.

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