O terror psicológico de “Sirius”

“Sirius não é apenas um lugar, é um sonho, uma sensação, outro tipo de realidade. À beira-mar os fantasmas caminham, revivem suas existências presos nas inúmeras camadas de véus que separam passado e futuro, vida e morte. Uma história sobre perdas e transformações, o movimento do tempo que eterniza e deteriora, o medo que aterroriza a mente humana mostrando que nada é real em um mundo onde tudo está será destruído constantemente.”

Essa é a sinopse de “Sirius”, o primeiro livro da – hoje um dos principais nomes da nossa literatura de horror nacional – Larissa Prado. Na trama, acompanhamos vários personagens, aparentemente sem qualquer tipo de ligação, hospedarem-se em um luxuoso hotel isolado à beira-mar. À medida que viramos as páginas, somos arrastados, juntamente com esses personagens para uma sucessão de eventos misteriosos e estranhos que testam o limite físico e psicológico dessas pessoas.

Tendo lido já outras obras da autora, posso afirmar que cada história sua possui uma personalidade própria. Nenhum soa como uma fórmula repetida. E ainda assim é possível perceber traços característicos da sua escrita. Todo o elemento psicológico presente nos romances “O Balé das Aves Mortas”, “O Rastro da Serpente” e “O Receptáculo”, bem como seus contos distribuídos em antologias, já aparece em “Sirius”.

E isso se reflete não apenas na parte onírica e o fantástico (no sentido de ser real ou não), mas também na construção em cima de questões como luto e depressão. Larissa sabe trabalhar muito bem esses elementos em suas narrativas. Aqui, traumas do passado como culpas e segredos muito bem enterrados são a chave para tentar entender o caos labiríntico em que a autora nos aprisionou. Além disso, Larissa sabe, como poucos, criar uma atmosfera angustiante e perturbadora que vai crescendo com a trama, sendo impossível de largar a leitura.

Gosto muito também como ela não entrega desfechos fáceis ou conclusivos em suas histórias. Dá para discutir várias teorias a respeito do que é o Hotel Sirius (não farei isso aqui para não estragar a experiência de outros leitores).

É possível perceber influências de obras como “O Iluminado” e “1408” de Stephen King e “A Sombra sobre Insmouth” de H.P Lovecraft. Porém, Larissa dilui tudo isso em uma história original que possui voz própria e, através de uma trama muito bem urdida, elaborada e instigante, irá conquistar novos e antigos leitores por seus próprios méritos.

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